COMO LIDAR COM UMA VIDA INCERTA?
Eu sou uma incerteza ambulante.
E, definitivamente, não consigo me imaginar daqui a 2, 5 ou 10 anos. Tudo parece muito incerto na minha cabeça; sinto que mudo a toda hora.
Há duas horas, eu tinha uma ideia do que era a vida, mas bastou assistir a um vídeo sobre filosofia para que essa percepção mudasse completamente.
Eu nem sei o que vou fazer na semana que vem.
Não faço a mínima ideia do que serei ou do que sou.
Só sei que existem coisas que quero fazer. Porém, também não sei como vou conseguir realizá-las, embora sejam desejos muito fortes.
Sinto-me como os primeiros cartógrafos, mas meu mapa não é da terra; é do tempo e da vontade. Estou desenhando a rota enquanto avanço, inventando o caminho para um lugar que só eu consigo enxergar.
O frustrante é que, muitas vezes, o trajeto fica difícil.
Às vezes, sinto como se estivesse em uma descida: tudo indo rápido e fluindo. Outras vezes, sinto-me o próprio Sísifo, carregando uma pedra montanha acima.
Chega uma parte do percurso em que você precisa crescer e evoluir muito para conseguir passar.
Dizem que, de agora em diante, o chão não basta; é preciso criar asas. Gosto de ver essa metamorfose como a superação do meu próprio trajeto.
Mas, ainda assim, parece muita responsabilidade ter grandes sonhos. Às vezes me pergunto se eu seria mais feliz se fosse mais ignorante e quisesse apenas uma vida mais comum.
Não, não estou dizendo necessariamente que quero ser rico e ter uma casa em Miami. Estou dizendo que a minha alma clama por lugares, experiências e sentimentos.
Tem tanta coisa por aí, tanta vida e tantos mundos, que dá vontade de se jogar de cabeça e passar o resto dos meus dias apenas aproveitando o que existe de melhor.
É irônico, porque gosto da ideia de apreciar o comum, mas muitas vezes estou com tantas incertezas e inseguranças na mente que se torna impossível aproveitar qualquer coisa.
Será que chegará um dia em que eu simplesmente estarei lá? Sabe, em que algum dia eu vou olhar para mim mesmo e sentir que “eu estou aqui”? Que é aqui que eu quero estar e é aqui que eu pertenço?
E, finalmente, conseguir ficar em paz, pensando apenas no que estou vivendo?
Tantas Possibilidades
Acho que guardo muitas preocupações, e a maior delas é justamente esta: querer fazer tantas coisas, mas tudo não passar de uma incerteza.
Dizem que a única certeza da vida é a morte, mas eu discordo. Eu tenho certeza de que a coisa mais certa da vida é a incerteza.
O problema é que uma parte de mim acha que ela é necessária. Acho que é isso que faz as coisas se tornarem um pouco mais animadas.
Pensa: e se, amanhã, do nada, eu acordasse tendo a plena certeza de tudo? “Ok, eu vou conseguir fazer isso”. Será que essa certeza não me deixaria paralisado? Pensa, eu nem precisaria me esforçar.
Mas, quando estou com uma incerteza, ela já me faz mudar: eu vou dar o meu máximo para conseguir. É estranho, porque a própria incerteza que me atrapalha é o que acaba me movendo.
Muitas vezes eu também me pergunto: qual profissão vou exercer? O que serei no futuro?
Minha namorada é um pouco mais velha que eu e está na terceira faculdade porque largou as outras duas, simplesmente porque mudou de ideia. E olha que agora ela cogitou largar esta para virar outra coisa. É engraçado, mas realista demais.
Tenho um amigo que passou cinco anos estudando Engenharia Civil para, no mês da formatura, decidir que sua verdadeira vocação era abrir uma torrefação de café artesanal no interior.
Eu sou igual: há quatro anos, estava convencido de que montaria uma loja e ficaria nela pelo resto da vida. Depois, literalmente pensei que viveria de marketing. E agora, mais recentemente, vieram a escrita e o audiovisual.
No fim das contas, parece que passamos metade do tempo nos preparando para coisas que nunca faremos e a outra metade tentando descobrir o que realmente nos mantém acordados à noite.
Eu não tenho certeza de nada ainda, e o pouco que sei sobre a vida me faz apenas querer saber mais. Mais conhecimento, mais inteligência, mais cultura; sinto que, quanto mais eu sei, menos acabo sabendo, e a curiosidade pela vida se amplia a todo momento.
A Incerteza como Única Certeza
Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
— Fernando Pessoa
Escrevi tudo isso porque, muitas vezes, pensamos que todos já estão com a vida resolvida, mas a realidade é o oposto.
Escrevo porque sou a pessoa mais perdida do mundo e descobri que existe uma paz profunda em dizer: “eu não sei”.
Percebi que a alma humana respira melhor nas perguntas do que nas respostas prontas. Admitir a própria pequenez diante da imensidão é um realismo poético.
Lidar com essa incerteza é, em última análise, aprender a dançar em um chão que insiste em se mover. Se tudo fosse certo, a vida seria um roteiro já filmado e eu seria apenas um espectador do meu próprio destino.
Mas a incerteza me devolve o papel de autor. Onde nada é garantido, tudo é possível. A angústia que sinto diante do “não saber” é, na verdade, o peso da minha própria liberdade — o vazio onde posso projetar quem desejo ser amanhã.
Hoje eu continuo sem grandes certezas, mas olhar para fora e contemplar as belezas do mundo me faz sonhar que tudo aquilo para o que nasci — e que minha alma clama — ainda pode ser plenamente vivido.
Se o chão me falta, talvez seja o sinal de que é hora de usar as asas que estou criando.
“Não tenho certeza de nada, mas a visão das estrelas me faz sonhar”
— Vincent van Gogh
✍️ Escrever é o jeito que encontrei de transformar o meu 'não saber' em destino. No meu e-book, Escrevivência, compartilho como a escrita pode ser o seu par de asas quando o chão insiste em sumir.






Ah… essa vida não-linear em um mundo não-linear… confesso que às vezes penso: - para que eu quero descer!
A incerteza às vezes me dá náusea… sabe aqueles brinquedos de parquinhos (eu conheço por rodador) - às vezes me sinto em um deles.
Mas só às vezes… em outras só sigo vivendo e tentando ignorar a não linearidade da vida.
👏👏👏👏👏